Andar na rua com segurança, ter tempo para jantar em família, ampliar o repertório cultural e ter acesso a diversos países europeus em poucas horas estão entre os ganhos mais citados por quem se muda, segundo especialistas em relocação
O conceito de luxo silencioso, ou “quiet luxury”, tradicionalmente associado ao consumo discreto e à sofisticação sem ostentação, ganha uma nova dimensão quando aplicado ao estilo de vida.
Para brasileiros que se mudam para Portugal e desejam reorganizar sua vida pessoal e profissional no exterior, o luxo deixou de ser o que se exibe e passou a ser o que se vive: experiências, tempo livre, segurança para andar a pé e o privilégio de ter acesso a diversos destinos europeus em poucas horas, ampliando as possibilidades de viagem e de experiências.
A tendência é cada vez mais observada pela SIMPLY351, empresa especializada em relocação entre Brasil e Portugal, sediada em Lisboa. “As pessoas querem mais tempo, mais leveza e mais liberdade no dia a dia. É um luxo que não aparece na foto, mas aparece na vida”, afirma Mariana Padilha, sócia e fundadora da empresa.
Ao lado da também sócia Camila Borgerth, ela lista cinco aspectos que motivam a mudança de quem faz a travessia:
1. A liberdade de circular com mais tranquilidade
Para muitos brasileiros, viver com mais tranquilidade pode significar depender menos de condomínios fechados, carros blindados e trajetos pensados em função da segurança. Caminhar pelo bairro, ir a pé à padaria, aproveitar uma praça ou deixar que os filhos tenham mais autonomia são pequenas liberdades que ganham espaço na rotina. Para muitas famílias, a primeira grande mudança é ver o filho ir sozinho para a escola, um gesto simples que transforma a relação com a cidade.
2. Mais tempo de qualidade com a família
Menos horas no trânsito e deslocamentos mais curtos podem se transformar em jantares em família, idas à escola para buscar as crianças ou simplesmente mais tempo juntos. Esse ganho, porém, depende de escolhas: onde morar, onde trabalhar e qual a distância entre uma coisa e outra.
3. Uma rotina que exige menos logística para funcionar
Morar perto de mercados, farmácias, escolas e cafés pode simplificar tarefas que antes exigiam pegar o carro e atravessar a cidade. Resolver várias coisas a pé, fazer pequenas compras no caminho de casa ou contar com transporte público tornam o dia a dia mais prático e liberam energia para o que realmente importa.
4. Filhos que crescem em um ambiente internacional
Lisboa se transformou em um importante polo cosmopolita na Europa. Nas escolas, especialmente nas internacionais, é comum que uma mesma turma reúna crianças de vários países, com idiomas, culturas e hábitos diferentes. Para muitas famílias, essa convivência está entre os ganhos mais valorizados da mudança: os filhos fazem amigos de diferentes partes do mundo e crescem com uma visão mais ampla. "Meus filhos já não olham com estranheza certos hábitos de outras culturas, porque cresceram inseridos nesse contexto", conta Camila.
A isso se soma a proximidade com o resto da Europa. Países completamente diferentes podem ser explorados em um fim de semana, de avião, de carro ou de trem. Museus, concertos, festivais e exposições deixam de ser programas de férias e passam a fazer parte do calendário comum da família, ampliando o repertório cultural de adultos e crianças.
5. Uma vida com menos ostentação
Um traço marcante da cultura portuguesa é a valorização de um estilo de vida mais discreto. De modo geral, há uma certa sobriedade na forma como os portugueses se relacionam com o dinheiro, o consumo e a demonstração de riqueza, característica que pode estar ligada, em parte, à própria história do país. Conforto e qualidade de vida não precisam estar associados ao excesso, e a simplicidade também é valorizada.
Isso aparece até nas festas de aniversário das crianças, que costumam ser bem mais simples do que as grandes produções comuns no Brasil. "Nas primeiras festinhas dos meus filhos, foi um alívio. Aluguei um campo de futebol, levei bolo e brigadeiro, e as crianças se divertiram do mesmo jeito", lembra Camila.
Para as sócias, nenhum desses ganhos acontece automaticamente com a troca de país. "Segurança, tempo com a família, uma rotina leve e a Europa ao alcance não vêm junto com a mudança. São resultado de decisões bem pensadas: onde morar, qual escola escolher para os filhos, como organizar a vida fiscal e o patrimônio e com quem contar para conduzir a mudança. Quando esse planejamento é feito com antecedência e com a orientação certa, a qualidade de vida que motivou a mudança deixa de ser uma promessa e passa a ser a rotina", conclui Mariana.
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