Esther Faingold deixou o Rio Grande do Sul aos quinze anos. Mais de três décadas depois, retorna trazendo um livro. Criada em Passo Fundo, onde viveu até a adolescência, ela apresenta em Porto Alegre seu romance de estreia, Apneia, publicado pela Cosac. A escritora e artista visual estará na cidade a convite da 72ª Feira do Livro de Porto Alegre no dia 12 de novembro (quinta), às 18h30, no Auditório Alfredo Augusto Escobar Santos, no Clube do Comércio (Rua dos Andradas, 1085, 2º andar), participando do painel “A Escrita contra o Esquecimento”. Em seguida, às 19h, haverá sessão de autógrafos, na Praça de Autógrafos.
No dia seguinte, sexta-feira (13/11), às 19h, Esther participa de um bate-papo na Livraria Baleia (R. dos Andradas, 351 - Centro Histórico), com Camila Maccari e Dani Langer.
Num apartamento em Manhattan, sitiada por ratazanas e cercada por bonecas antigas, uma mulher prestes a se submeter a eletrochoques decide escrever. O que começa como carta-testamento para a filha adolescente se torna um arquivo em combustão, feito de orfandade e de uma busca feroz de emancipação. Nele arde mais de um século de diáspora, da Bessarábia aos Pampas, que a narradora carrega no corpo. O livro avança e recua como uma maré. Volta à infância no sul do Brasil, onde ela é criada por avós estoicos e por uma tia-avó à margem do desvario. Volta também à adolescência em Israel, onde a promessa da Terra Santa vira pesadelo.
É no Sul que o romance finca suas raízes mais fundas. A memória da narradora começa nesse voo, logo depois da morte do pai. Na casa dos avós, entre silêncios de família, ela reconstitui a linhagem do próprio colapso: a loucura da tia-avó, a rebeldia da mãe, os contornos possíveis do seu destino. Ecoando a intuição de Simone Weil de que nada possuímos além do poder de dizer “eu”, e de destruí-lo, Apneia dialoga com A redoma de vidro, de Sylvia Plath. Com ironia e rigor poético, transforma o abismo pessoal numa história pulsante, sombria e de humor peculiar.
Duas escritoras gaúchas estão entre as primeiras leitoras do romance. A portoalegrense Veronica Stigger, que assina a quarta capa, define Apneia como “um romance cru e intenso”. No lançamento em São Paulo, descreveu assim o gesto da narradora: “O que ela faz não é uma simples recuperação da memória. O que ela faz é uma escavação”. Para Ingrid Fagundez, nascida em Sant’Ana do Livramento, “em Apneia há abismos, frestas submarinas, vulcões, lava”. Já o carioca João Paulo Cuenca vê no livro “nascimento e dissolução, solve et coagula em fogo e fúria, de uma autora que escreve para provar que existe”.
Antes de chegar ao Sul, Apneia passou por São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte. Nesses encontros, a autora conversou com Nilton Bonder, Emanuel Aragão, Humberto Werneck e Noemi Jaffe, entre outros.
Nascida em Brasília e criada em Passo Fundo, Esther Faingold é escritora, poeta e artista plástica. Há mais de vinte anos transita pela arte, da literatura ao design industrial. Publicou Ethers (Cosac Naify, 2011) e idealizou “Qualquer coisa animal”, mostra apresentada em 2024 na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM/USP). Foi lá que leu em público, pela primeira vez, trechos de Apneia. Vive entre São Paulo e Nova York.
Evento: A Escrita contra o Esquecimento | Feira do Livro de Porto Alegre
Data: 12/11/2026
Horário: 18h30
Local: Auditório Alfredo Augusto Escobar Santos - Clube do Comércio - Andradas, 1085 - 2°andar
Sessão de Autógrafos - Esther Faingold - Feira do Livro de Porto Alegre
Data: 12/11/2026
Horário: 19h
Local: Praça de Autógrafos
Bate-papo na Livraria Baleia
Esther Faingold, Camila Maccari e Dani Langer
Data: 13/11/2026
Horário: 19h
Local: Livraria Baleia (R. dos Andradas, 351 - Centro Histórico)
APNEIA
AUTORA: Esther Faingold
QUARTA CAPA: Veronica Stigger
ÁREA: Literatura
PROJETO GRÁFICO: Flávia Castanheira
FORMATO: 13,5 x 20 cm
PÁGINAS: 144
R$ 81,00
Raphaela Donaduce Flores | Jornalista