Nos dias 31 de outubro e 7 de novembro, o hotel de Gramado dedica duas noites ao ingrediente mais cobiçado da gastronomia italiana, em um menu de cinco tempos harmonizado com rótulos de cinco regiões vinícolas italianas
Poucos ingredientes carregam tanto mistério quanto a trufa branca. Ela não pode ser plantada, não se deixa prever e dura poucos dias depois de colhida. Basta, porém, algumas lâminas finas sobre um prato quente para transformar a mesa inteira.É em torno dessa raridade que o Castelo Saint Andrews, em Gramado, realiza nos sábados 31 de outubro e 7 de novembro o Festival Tartufo Bianco, um jantar que homenageia a Itália e o auge da temporada das trufas brancas.
A noite começa às 19h30 com welcome drink e segue com um menu de cinco tempos, todos com a trufa branca em destaque e cada um acompanhado de um vinho escolhido para harmonizar com os sabores da estação.
São apenas duas noites, com um ingrediente que precisa chegar à mesa poucos dias depois de sair da terra italiana. Por isso, o Festival Tartufo Bianco é uma experiência que não se repete ao longo do ano: um encontro raro entre a trufa mais desejada do mundo, uma seleção de vinhos de pequenos produtores familiares - com destaque para a vinícola Bramante Cosini, que produz o Brunello di Montalcino DOCG Bramante Cosini.
Um tesouro que nasce escondido
A trufa branca, de nome científico Tuber magnatum Pico, é um fungo que se desenvolve debaixo da terra, em simbiose com as raízes de carvalhos, choupos, salgueiros e tílias. Sua ocorrência se concentra em poucas regiões da Itália, como as colinas de Alba, no Piemonte, e áreas da Toscana, como San Miniato e as Crete Senesi, vizinhas de Montalcino.
Ao contrário da trufa negra, que já é cultivada com sucesso em diversos países, a branca é super exclusiva, pois somente é encontrada na Itália . Cada exemplar é encontrado na natureza, por caçadores experientes, os trifolau, que percorrem os bosques com cães treinados para farejar o tubérculo enterrado, muitas vezes à noite, para proteger seus pontos de colheita.
A temporada é curta, concentrada entre o fim de setembro e dezembro, e depende inteiramente do clima. Um verão seco demais ou um outono chuvoso em excesso bastam para reduzir a safra. Depois de colhida, a trufa perde aroma a cada dia e precisa ser consumida em pouco mais de uma semana. Raridade, imprevisibilidade e uma janela de consumo tão estreita explicam o preço: nas últimas temporadas, o quilo da trufa branca foi negociado na Itália entre 3 mil e 4,5 mil euros, valor que pode ser bem maior em anos de colheita escassa ou para exemplares excepcionais, disputados em leilões internacionais.
Elegância em camadas
O que justifica tamanha admiração é o perfume. A trufa branca reúne, ao mesmo tempo, notas de terra úmida, mel, feno, cogumelos e um toque sutil de alho, em uma combinação que nenhum outro ingrediente reproduz. É um aroma intenso, mas de grande delicadeza, que se revela por inteiro apenas no contato com o calor de um prato recém-servido. Não por acaso, o gastrônomo francês Brillat-Savarin a chamou de diamante da cozinha.
Essa complexidade pede respeito. A trufa branca não vai ao fogo: é servida crua, em lâminas finíssimas, sobre preparações que funcionam como uma moldura para que o seu perfume ocupe o centro da experiência.
O menu
O jantar percorre cinco tempos da cozinha italiana, todos finalizados com trufa branca, do primeiro prato à sobremesa. A carta de vinhos acompanha a viagem e atravessa a Itália de norte a sul, do Friuli à Sicília, passando pelo Lácio, pela Toscana e pela Puglia.
Tartare di Filet Mignon e Tartufo Bianco
Tartare de filé mignon com trufa branca
Harmonização: Tacoli Asquini Prosecco DOC Extra Dry 2024. O espumante vem da Conti Tacoli Asquini, vinícola fundada em 1836 e sediada em uma villa do século XVI na região das Grave del Friuli, no nordeste da Itália, onde os vinhedos crescem sobre solos de cascalho que dão nome à denominação. A família tem lugar na história do vinho italiano: ao seu antepassado, o conde Fabio Asquini, é atribuída no século XVIII a valorização da uva Picolit. Hoje a propriedade de 23 hectares é conduzida por Paolo Tacoli e os filhos Paola e Federico, com cultivo orgânico. Elaborado com a uva Glera, o Prosecco traz borbulha delicada e acidez viva, que limpa o paladar e prepara a chegada do perfume da trufa sobre a carne crua.
Agnolini con Gemma e Spinaci con Tartufo Bianco
Agnolini recheado de gema e espinafre, com trufa branca
Harmonização: Rosa di Lava Syrah Rosé. O rosé é da Antica Cantina Leonardi, fundada em 1910 em Montefiascone, às margens do Lago di Bolsena, no Lácio, e hoje conduzida pela quarta geração da família. Os vinhos amadurecem em adegas históricas escavadas no tufo vulcânico, e é justamente a lava que inspira o nome do rótulo. Feito com 100% Syrah, colhida e selecionada à mão, o vinho passa por um breve contato com as cascas e fermenta em tanques de aço. No copo, tem cor de casca de cebola com reflexos alaranjados e aromas de morango silvestre, flores e especiarias doces, com frescor que acompanha a untuosidade da gema.
Carré di Agnello con Riso Parmigiano e Tartufo Bianco
Carré de cordeiro com arroz ao parmesão e trufa branca
Harmonização: Bramante Cosimi Brunello di Montalcino DOCG Riserva 2018. O grande tinto da noite vem de Montalcino, na Toscana, e carrega uma história de família. O pai de Rodolfo Cosimi plantou Sangiovese em 1975, quando a denominação reunia menos de 30 produtores, e o rótulo Bramante homenageia o avô. As vinhas, com cerca de 50 anos, crescem em solos de argila, calcário e marga ricos em fósseis, e o vinho amadurece em tonéis de carvalho de 500 litros e barricas francesas. O resultado é um Brunello de aromas de ameixa, cedro e frutas vermelhas, com taninos firmes e a estrutura que o cordeiro pede.
Degustazione di Pecorino al Tartufo e Parmigiano con Miele al Tartufo
Degustação de pecorino trufado e parmesão com mel trufado
Harmonização: Stallone Primitivo Tarantino IGP 2024. Da Puglia, no calcanhar da bota italiana, este tinto é feito com 100% Primitivo colhida à mão. Depois da fermentação, amadurece em aço e passa seis meses em barricas de carvalho francês e outros seis em garrafa. Tem cor rubi com reflexos violáceos, notas de ameixa madura, amora silvestre e um leve toque de canela, e um paladar macio e aveludado que equilibra o sal dos queijos e a doçura do mel.
Gelato di Vanilla e Coulis di Lamponi Tartufata
Sorvete de baunilha com coulis de framboesa trufado
Harmonização: vinho Marsala. O encerramento fica a cargo de um clássico da Sicília. Produzido na província de Trapani, no extremo oeste da ilha, o Marsala é um vinho fortificado que ganhou fama internacional no século XVIII, levado à Inglaterra por comerciantes britânicos. Suas notas de frutas secas, caramelo e baunilha conversam com o sorvete e fecham a noite com doçura e calor.
No menu harmonizado, cada rótulo é servido em taça de 100 ml por pessoa, com exceção do vinho de sobremesa, servido em cálice de 50 ml. Garrafas e taças extras podem ser solicitadas, com preços e disponibilidade sob consulta. Quem preferir o menu sem harmonização pode escolher os vinhos à parte e montar a experiência de acordo com as próprias preferências.
Sobre o Castelo Saint Andrews
Em Gramado (RS), com arquitetura de castelo escocês, o Castelo Saint Andrews é o único hotel de montanha do sul do país membro da Relais & Châteaux. Oferece concierge 24h, mordomos, gastronomia autoral no Primrose e adega premiada pela Wine Spectator oito vezes. Para hóspedes de fora, organiza toda a jornada, com passagens aéreas, transfers e locação de veículos.
SERVIÇO
Festival Tartufo Bianco | Castelo Saint Andrews
Datas: 31 de outubro e 7 de novembro de 2026 (sábados)
Início: 19h30, com welcome drink
Valores: R$ 1.450 por pessoa (menu sem harmonização) e R$ 1.850 por pessoa (menu com harmonização)
Reservas: WhatsApp +55 54 3295-7721 · Telefone +55 54 3295-7700
E-mail reservas@saintandrews.com.br · www.saintandrews.com.br
Endereço: Rua das Flores, 171, Bairro Belvedere, Gramado/RS
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Lucia Paes de Barros