Insolito Tinto Corte VII incorpora vinho da primeira safra integralmente vinificada na própria cantina, em Garibaldi, enquanto Segredo do Enólogo Tinto e Branco chegam à segunda edição com uma nova uva no blend, desafiando apreciadores a uma nova descoberta
Um vinho criado para celebrar a independência produtiva da Foppa & Ambrosi e dois novos blends que desafiam o consumidor a descobrir o que mudou dentro da garrafa. A vinícola de Garibaldi (RS) chega à ProWine São Paulo 2026 com três lançamentos: o Insolito Tinto Corte VII e as segunda edição do Segredo do Enólogo Tinto e do Segredo do Enólogo Branco. O primeiro incorpora ao corte um vinho da Safra 2026, a primeira integralmente vinificada na própria estrutura da marca sob a batuta do enólogo Ricardo Ambrosi. Já os dois Segredos do Enólogo mantêm as uvas utilizadas na edição anterior, mas ganham uma nova variedade no blend, aumentando a provocação para quem aceitou o desafio de degustar sem conhecer previamente tudo o que há na taça.
Os três lançamentos têm propostas distintas, mas partem de uma característica que acompanha o trabalho dos jovens enólogos Lucas Foppa e Ricardo Ambrosi: usar o vinho como espaço de experimentação. No Insolito, essa liberdade permite construir cortes que mudam a cada edição. No Segredo do Enólogo, ela se transforma também em experiência para o consumidor, convidado a deixar de lado as informações que normalmente antecipam uma degustação e buscar suas próprias respostas.
Um vinho para marcar a independência produtiva
O Insolito Tinto Corte VII nasce com um significado especial na trajetória da Foppa & Ambrosi. O vinho celebra a independência produtiva conquistada em 2026, quando, pela primeira vez desde o início do projeto, em 2017, toda a safra passou a ser vinificada dentro da estrutura própria da marca, em Garibaldi.
E essa história não está apenas no conceito do lançamento. Ela está dentro da garrafa. O blend do Insolito Corte VII incorpora vinho da Safra 2026, elaborado integralmente na nova cantina. Um componente ainda jovem passa, assim, a integrar um vinho criado justamente para registrar o momento em que a Foppa & Ambrosi assume dentro de casa todas as etapas da elaboração. “Esse Insolito tem um significado que vai além do próprio corte. Ele marca uma conquista que perseguimos ao longo desses anos, que é a nossa independência produtiva. E queríamos que isso estivesse efetivamente dentro do vinho. Por isso, trazer a Safra 2026 para o blend é também uma forma de guardar esse momento na garrafa”, destaca Lucas Foppa.
A nova etapa começou a ser construída em ritmo acelerado. A estrutura de produção foi montada em apenas um mês e recebeu tanques, desengaçadeira, prensa, esteira para seleção de uvas, sistema de frio e enchedora, alcançando capacidade projetada para até 120 mil garrafas ao ano. O movimento coincidiu com a dedicação integral de Ricardo Ambrosi à Foppa & Ambrosi. Depois de oito anos conciliando diferentes atividades profissionais, o enólogo passou, em janeiro de 2026, a concentrar seu trabalho exclusivamente no projeto criado com Lucas Foppa.
Segredo do Enólogo chega à segunda edição
Se o Insolito registra uma conquista da própria vinícola, as novas edições do Segredo do Enólogo Tinto e Branco voltam a colocar o consumidor no centro da experiência. O projeto nasceu de uma provocação: e se, em vez de dizer antecipadamente quais são as uvas, o corte e determinados detalhes da elaboração, a vinícola convidasse as pessoas a descobrir o vinho pelos próprios sentidos? A primeira edição do Segredo do Enólogo Tinto rompeu com a apresentação convencional de um rótulo ao esconder justamente algumas das informações normalmente utilizadas para orientar a degustação. Posteriormente, a proposta foi ampliada para o Branco e o Espumante, com um QR Code criado para estimular o consumidor a registrar seus palpites e compartilhar suas impressões.
A adesão do público e o sucesso da experiência levou a Foppa & Ambrosi à segunda edição. Para os enólogos, o resultado confirmou que havia espaço para uma relação na qual o consumidor não apenas recebe e absorve o que a vinícola diz sobre o vinho, mas participa da descoberta. O exercício também revelou outro aspecto considerado importante pelos dois: degustar sem determinadas informações prévias pode ajudar a colocar em xeque preconceitos relacionados a algumas variedades e métodos de elaboração. Primeiro vem aquilo que a pessoa percebe e gosta — ou não — na taça. A informação vem depois. “Vimos as pessoas entrarem na brincadeira, darem seus palpites e se permitirem provar o vinho antes de formar uma opinião a partir do nome de uma uva ou de um método de elaboração. Para nós, foi a confirmação de que o Segredo do Enólogo fazia sentido como projeto e que podíamos avançar nessa provocação”, explica Lucas.
Uma nova uva. E nenhuma pista. Nesta segunda edição, o desafio ganha um novo componente. Tanto o Segredo do Enólogo Tinto quanto o Segredo do Enólogo Branco preservam as variedades utilizadas em suas primeiras edições, mas recebem uma nova uva no blend. Qual? A Foppa & Ambrosi mantém o segredo. A mudança foi pensada especialmente para provocar quem já viveu a primeira experiência. Quem provou os vinhos anteriores e guardou suas características na memória terá agora a possibilidade de comparar as duas edições e tentar identificar o novo elemento incorporado ao corte. “Quem provou a primeira edição já tem uma referência. Agora mantivemos aquilo que estava no vinho e acrescentamos uma nova uva. Então a brincadeira fica ainda mais interessante: será que, pela memória da primeira experiência, a pessoa consegue perceber o que mudou?”, provoca Lucas. A proposta reforça uma ideia que está na origem do projeto: antes de procurar a resposta no rótulo, procurá-la na taça.
Estrutura própria, origens diversas
A independência produtiva celebrada pelo Insolito Corte VII não significa que a Foppa & Ambrosi tenha passado a vincular seus vinhos a uma única origem. A vinícola mantém o modelo de trabalhar com uvas de agricultores parceiros de diferentes regiões do Rio Grande do Sul, selecionadas de acordo com a proposta de cada elaboração. É o conceito que Lucas e Ricardo definem como descentralização de terroir: em vez de limitar o portfólio ao território onde está instalada a cantina, buscar diferentes origens para diferentes projetos.
A primeira Safra 2026 integralmente vinificada em Garibaldi preservou essa lógica. A mudança está no destino dessas uvas. Agora, independentemente de sua origem, elas chegam à estrutura da Foppa & Ambrosi para serem processadas e acompanhadas pelos enólogos durante toda a elaboração. “Os enólogos são os mesmos, os processos são os mesmos. A única diferença é que agora a vinificação acontece dentro da nossa casa”, resume Ricardo Ambrosi. E experimentar continua sendo o ponto de partida.
A chegada simultânea dos três rótulos à ProWine São Paulo ajuda a contar um momento de amadurecimento da Foppa & Ambrosi sem abandonar uma característica presente desde sua origem. Lucas Foppa e Ricardo Ambrosi começaram o projeto aos 21 anos, sem tradição familiar na produção de vinhos e sem investidores. A empresa cresceu com o reinvestimento na própria operação e construiu um portfólio marcado por pequenos lotes e projetos autorais. Além da operação brasileira, a Foppa & Ambrosi também elabora vinhos em Napa Valley, na Califórnia.
Agora, aos 29 anos, os dois chegam à ProWine com produtos que, por caminhos diferentes, contam também a evolução desse percurso. O Insolito Tinto Corte VII coloca dentro da garrafa um marco da própria vinícola. Os novos Segredos do Enólogo devolvem a pergunta para quem está do outro lado da taça. Em comum, os três preservam algo que a estrutura própria não pretende mudar: a liberdade de experimentar.
Sobre a Foppa & Ambrosi
Fundada pelos enólogos Lucas Foppa e Ricardo Ambrosi, a Vinícola Foppa & Ambrosi tem sede em Garibaldi (RS) e operação em Napa Valley, na Califórnia, além de um collab com a BraccoBosca, no Uruguai. No Brasil, trabalha com uvas de agricultores parceiros de diferentes terroirs do Rio Grande do Sul, numa proposta de descentralização de terroir. Em 2026, realizou pela primeira vez toda a vinificação da safra em sua própria estrutura, em Garibaldi.
Imagens: Divulgação Foppa & Ambrosi
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