"O Morro é Galeria" promove intercâmbio entre artistas e comunidades e reafirma periferias como espaços de produção, circulação e fruição de arte contemporânea
E se a periferia deixasse de ser vista como margem e passasse a ocupar o centro da produção cultural? É a partir dessa provocação que o VIELAS Espaço Cultural desenvolve o projeto O Morro é Galeria: cultura periférica e arte urbana em movimento, que conecta três territórios periféricos de diferentes regiões do país por meio de intercâmbios artísticos, ações educativas e exposição itinerante. A iniciativa reunirá experiências desenvolvidas em Caxias do Sul (RS), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) e busca fortalecer redes de artistas, coletivos e espaços culturais comunitários a partir da troca de saberes.
“É muito importante para mim ver o Beltrão de Queiroz, através do VIELAS Espaço Cultural, sendo reconhecido por uma instituição como a Funarte. Apenas duas propostas gaúchas foram selecionadas entre mais de 300 inscritas. Esse projeto vem ao encontro do que o VIELAS propõe: valorizar a cultura periférica e o protagonismo dos artistas desses territórios”, salienta o presidente do VIELAS, Fernando Morais.
Com execução prevista até julho de 2027, o projeto terá como pontos de encontro o bairro Euzébio Beltrão de Queiroz, uma das primeiras favelas de Caxias do Sul, a Vila Flávia, no bairro de São Mateus, em São Paulo, e o Complexo Pavão-Pavãozinho-Cantagalo (PPG), no Rio de Janeiro. Em cada território já existem iniciativas que utilizam a arte urbana como instrumento de transformação, valorização da identidade local, formação e fortalecimento comunitário.
Em Caxias do Sul, o projeto parte da experiência do VIELAS Espaço Cultural, que mantém o Museu de Arte Regina Rodrigues Machado (MARM), reconhecido como museu de território pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). O espaço possui um acervo catalogado de 72 obras em Graffiti, muralismo, lambe-lambe e arte tridimensional e também desenvolve o Graffitour, tecnologia social de preservação do patrimônio cultural brasileiro reconhecida pelo Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade 2025, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Em São Paulo, a residência será realizada na Vila Flávia, território onde está a Favela Galeria, iniciativa criada pelo Grupo Opni que utiliza principalmente o Graffiti para revitalizar a comunidade. O projeto reúne centenas de intervenções artísticas em muros e vielas e desenvolve ações de integração social e formação de jovens.
No Rio de Janeiro, o intercâmbio chegará ao Pavão-Pavãozinho-Cantagalo, na Zona Sul da cidade, tendo como referência o Ninho das Águias, projeto fundado em 2011 pelo artista Universo Acme. A iniciativa nasceu de uma biblioteca comunitária criada onde antes funcionava uma área de descarte de resíduos e desenvolve cursos, saraus e rodas de leitura, utilizando a arte urbana e a reciclagem como ferramentas de transformação social e conscientização socioambiental.
Troca de experiências
“O Morro é Galeria” propõe colocar em contato diferentes formas de produzir, preservar, ensinar e vivenciar a arte nos territórios periféricos. A proposta é integrar tecnologias sociais desenvolvidas em contextos socioculturais distintos, fortalecendo redes e estimulando o intercâmbio de saberes, metodologias e estratégias de gestão cultural.
Ao longo do projeto, serão realizadas residências artísticas entre setembro de 2026 e janeiro de 2027, envolvendo seis artistas: Andrigo Martins, Den, Life, Universo Acme, Nego Todd e Val StreetArt. As atividades serão acompanhadas por ações educativas gratuitas e estratégias de mediação e acessibilidade, buscando aproximar artistas, moradores, estudantes, educadores e demais públicos interessados nas artes visuais urbanas.
O projeto também prevê a realização de uma exposição coletiva, em formato presencial e online, cujo lançamento será em Caxias do Sul, seguida de itinerância por São Paulo e Rio de Janeiro. A circulação das obras será acompanhada de registros e ações de difusão, contribuindo para a construção da memória do circuito e para a ampliação do acesso às experiências produzidas nos territórios.
A iniciativa tem entre seus objetivos valorizar as periferias como centros legítimos de produção cultural contemporânea e ampliar a circulação das artes visuais urbanas em âmbito local, regional e nacional. A estratégia de comunicação também buscará dar protagonismo aos artistas e às comunidades envolvidas, apresentando suas trajetórias, territórios e experiências.
O projeto “O Morro é Galeria: cultura periférica e arte urbana em movimento” é realizado com fomento da Fundação Nacional de Artes (Funarte), entidade vinculada ao Ministério da Cultura do Governo Federal, pelo VIELAS Espaço Cultural.
SERVIÇO
Projeto: O Morro é Galeria: cultura periférica e arte urbana em movimento
Realização: VIELAS Espaço Cultural
Período de execução: 20 de julho de 2026 a 25 de julho de 2027
Territórios: Caxias do Sul (RS), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ)
Artistas: Andrigo Martins, Den, Life, Universo Acme, Nego Todd e Val StreetArt
Fomento: Fundação Nacional de Artes (Funarte), entidade vinculada ao Ministério da Cultura do Governo Federal
Museu de Arte Regina Rodrigues Machado (MARM), em Caxias do Sul, possui um acervo catalogado de 72 obras em Graffiti, muralismo, lambe-lambe e arte tridimensional e também desenvolve o Graffitour Museu de Arte Regina Rodrigues Machado (MARM), em Caxias do Sul, possui um acervo catalogado de 72 obras em Graffiti, muralismo, lambe-lambe e arte tridimensional e também desenvolve o Graffitour Museu de Arte Regina Rodrigues Machado (MARM), em Caxias do Sul, possui um acervo catalogado de 72 obras em Graffiti, muralismo, lambe-lambe e arte tridimensional e também desenvolve o Graffitour.
Diego Adami