Espetáculo Bolling Club, formado por Dhouglas Umabel, Mari Brito, Ezequiel de Paula e Josué de Oliveira, ocorre nos dias 28 e 29 de agosto, com retirada de ingresso a partir do dia 24, no Memorial da Câmara Municipal de Porto Alegre
O quarteto de jazz Bolling Club sobe ao palco do Teatro Glênio Peres para duas apresentações, nos dias 28 e 29 de agosto (sexta e sábado). O concerto integra a X Mostra de Artes Cênicas e Música da Câmara de Vereadores de Porto Alegre.
Formado por jovens músicos, e já com sólida trajetória nas cenas erudita e popular gaúcha, o espetáculo celebra a obra do compositor Claude Bolling e a produção autoral do grupo, reunindo num mesmo programa a sofisticação da escrita camerística e a liberdade expressiva do jazz. Idealizado por Dhouglas Umabel (violino), integram o grupo Mari Brito (piano), Ezequiel de Paula (contrabaixo acústico) e Josué de Oliveira (bateria e percussão).
Bolling Club propõe um encontro entre dois universos: a música de concerto e o jazz. Segundo Umabel, a formação nasceu justamente dessa mistura e das possibilidades que ela oferece, permitindo transitar entre diferentes linguagens com liberdade e versatilidade. Neste recital, será apresentada uma suíte composta por ele e Mari Brito especialmente para o projeto.
A Suite para Violino e Jazz Trio, raramente executada no Brasil, divide o palco com a Suite dos Parques, obra original que traduz em música a experiência afetiva dos espaços públicos de Porto Alegre. O resultado é um concerto de câmara intimista e acessível, que convida o público a descobrir o ponto onde o erudito e o popular se encontram.
“O programa apresenta um diálogo entre o clássico e o jazz a partir de diferentes perspectivas, reunindo tradição, criação e a identidade que o grupo vem construindo ao longo de sua trajetória”, conta Umabel.
O criador de suítes populares que misturam jazz e música clássica
Nascido em Cannes em 1930, Claude Bolling (1930 – 2020) foi um músico sem preconceitos, admirador tanto dos jazzistas americanos (Duke Ellington em particular) como dos compositores eruditos europeus. Isso fez com que seu trânsito entre intérpretes populares crescesse – ele fez arranjos tanto para a cantora Juliette Gréco como Brigitte Bardot, que chegou a gravar no auge da fama como atriz.
Ficou conhecido por uma histórica parceria com o flautista Jean-Pierre Rampal, o disco Suite for Flute and Jazz Piano (1975), que chegou a vender mais de 1 milhão de cópias – na história do jazz, poucos chegaram a esse número, como ele e o pianista Keith Jarrett (com Köln Concert). Nos Estados Unidos, compôs para o cinema e ganhou três indicações para o Grammy, uma delas para melhor disco de câmara, o citado CD com Rampal, que teve uma sequência Suite 2 for Flute and Jazz Piano Trio (1987).
É dele a trilha composta para o filme Borsalino (1970), de Jacques Deray, que motivou as primeiras propostas de Hollywood. Entre outros filmes, Bolling fez a música de Catch Me A Spy (Como Agarrar um Espião), um ano depois, em 1971– o filme dirigido por Dick Clement tinha Kirk Douglas no papel principal. Impressionado com o disco que fez com Rampal, o diretor Herbert Ross o convidou para compor a trilha de California Suíte (1978), comédia baseada numa peça de Neil Simon com Jane Fonda num dos papéis. E fez ainda parte da trilha de Reds, composta por Stephen Sondheim, escrevendo o arranjo de um dos temas do filme, Goodbye for Now.
Bolling estudou no conservatório de Nice e depois em Paris. Aos 14 anos já tocava profissionalmente ao lado de grandes nomes do jazz como Lionel Hampton e Kenny Clarke, tornando-se, nos anos 1960, amigo pessoal do pianista canadense Oscar Peterson (1925 – 2007).
Sobre o quarteto Bolling Club
Violinista, maestro e diretor artístico, Dhouglas Umabel é integrante da OSPA e atua entre a música de concerto, jazz e projetos autorais. Sua trajetória combina sólida formação erudita com ampla experiência em diferentes linguagens musicais. É idealizador do Bolling Club e responsável pela direção musical do espetáculo.
Doutora em Música pela UFRGS, Mari Brito é pianista, compositora e professora. Recebeu o Prix de Musique do Le Chouette Festival pela trilha sonora de Solitude e conduz o projeto “O Piano Delas”, dedicado à divulgação de compositoras brasileiras.
Percussionista, baterista e educador musical, Josué de Oliveira foi o primeiro percussionista a concluir o Bacharelado em Música Popular da UFRGS. Atua como músico convidado de orquestras da região e coordena o projeto Educando com Arte, na Aldeia da Fraternidade.
Bacharel em Música pela UFRGS, Ezequiel de Paula possui trajetória ligada à música de concerto e à formação orquestral. Já se apresentou na Alemanha, Áustria, Hungria e República Tcheca. Depois de passar pela OSPA e na Academia da OSPA, é professor da Orquestra Jovem do Rio Grande do Sul e do Núcleo de Orquestras Jovens de Novo Hamburgo
FICHA TÉCNICA
Direção Artística: Dhouglas Umabel
Violino e composição: Dhouglas Umabel
Piano e composição: Mari Brito
Contrabaixo acústico: Ezequiel de Paula
Bateria e percussão: Josué de Oliveira
Produção: Brenda Knevitz e Sofia Cortese
Iluminação: Gurias da Técnica
Sonorização: Antonio Flores
Duração: 60 minutos
Classificação etária: Livre
SERVIÇO
Espetáculo Bolling Club
Quando: 28 e 29 de agosto | Sexta e sábado | 19h
Onde: Avenida Loureiro da Silva, 255 - Centro Histórico
Entrada gratuita, mediante retirada de ingresso entre os dias 24 e 28 de agosto, das 9h às 17h, no Memorial da Câmara Municipal de Porto Alegre ou 30 minutos antes do espetáculo, se houver disponibilidade. Limite de dois ingressos por CPF. Não há lugares marcados
Beta Amaral
Foto Eduardo Rocha