Mostra do artista visual Renan Santos abre no dia 13 de agosto, em Porto Alegre, convidando o público a percorrer uma narrativa construída a partir do cotidiano, da memória e do gesto de desenhar
O tempo, a rotina e as pequenas experiências que atravessam os dias são a matéria-prima da exposição "Enquanto a vida acontecia – Um ano. Dez cadernos. 366 desenhos", do artista visual e ilustrador Renan Santos. Com abertura nesta quarta-feira, dia 13 de agosto, às 18h, na Nieto Atelier e Galeria, em Porto Alegre, a mostra reúne trabalhos desenvolvidos ao longo de um ano, período em que o desenho se afirma como registro de um tempo vivido, de observação e presença.
Com curadoria do próprio artista e de Carina Nieto, e texto crítico de Vitor Necchi, a exposição apresenta o desenho como uma prática cotidiana que acompanha a passagem dos dias e registra experiências, percepções e acontecimentos. Ao reunir os trabalhos produzidos nesse período, a mostra constrói um percurso em que a vida cotidiana se transforma em matéria para a criação artística.
Embora desenhe diariamente desde 2006, Renan decidiu transformar esse hábito em um compromisso. Inspirado pela experiência do amigo e artista Celo Pax, estabeleceu o desafio de concluir um desenho por dia ao longo de todo o ano de 2025, criando uma rotina de produção contínua que deu origem à exposição.
"Em 2024, durante uma conversa de boteco com o amigo e artista Celo Pax, que já havia realizado essa experiência e acabou se tornando uma grande inspiração para mim, surgiu uma pergunta muito simples: se eu já desenho todos os dias, por que não transformar esse hábito em um compromisso? A proposta era concluir um desenho por dia durante todo o ano de 2025."
O exercício revelou-se muito mais complexo do que imaginava. Entre encomendas, trabalho, família, deslocamentos e as exigências da vida cotidiana, manter a disciplina significou também enfrentar o cansaço e as limitações do tempo. "Existe uma diferença enorme entre desenhar todos os dias e precisar concluir um desenho todos os dias", observa o artista.
Um ano inteiro em um único espaço
Ao final da experiência, 366 desenhos ocuparam dez cadernos, que acabaram adquirindo características próprias. Alguns registram acontecimentos cotidianos; outros assumem um caráter quase confessional. Em um deles, sucessivos autorretratos revelam pequenas obsessões, dores físicas, tentativas frustradas de reduzir o café e inquietações que surgiram ao longo do percurso.
Para transformar esse material em exposição, Renan fez uma escolha decisiva: desmontou os dez cadernos, permitindo que todas as páginas fossem apresentadas simultaneamente. O gesto altera completamente a experiência do público, que deixa de acompanhar uma sequência de páginas para contemplar um ano inteiro em um único espaço.
"As páginas deixaram de ser folheadas para serem vistas simultaneamente. Um objeto íntimo foi aberto, espalhado e transformado em espaço. Pela primeira vez, é possível enxergar um ano inteiro de uma só vez", afirma.
Ao reunir todos os desenhos, a exposição revela uma narrativa contínua, formada por fragmentos de diferentes estados de espírito, acontecimentos e reflexões. A mostra apresenta o desenho como uma linguagem capaz de registrar o tempo, os afetos e as transformações silenciosas que compõem a experiência humana.
"Essas folhas preservam aquilo que passou pela minha cabeça enquanto a vida acontecia. Talvez seja isso que esta exposição seja: não um inventário de desenhos, mas um retrato de um ano desenhado."
Sobre o artista
Natural de Canoas (RS), Renan Santos nasceu em 1984. Ilustrador autodidata, iniciou sua formação em Arquitetura, mas optou por dedicar-se integralmente ao desenho, expandindo sua produção para a gravura em metal e a pintura. Ao longo da carreira, desenvolveu ilustrações para publicações infantis e infanto-juvenis, murais de grande escala, estampas para roupas e objetos, além de participar de exposições e feiras de arte no Brasil e no Exterior. Recentemente, ilustrou uma nova edição de Dom Quixote. Entre as mostras internacionais de que participou, destacam-se exposições na Galeria Hatos, em Tóquio; Hellion Gallery, em Portland; e Artistik Rezo, em Paris.
SERVIÇO:
Exposição: “Enquanto a vida acontecia – Um ano. Dez cadernos. 366 desenhos”, exposição do artista Renan Santos. Curadoria do artista e de Carina Nieto, com texto crítico de Vitor Necchi.
Abertura: 13 de agosto de 2026 (quinta-feira), às 18h.
Visitação: de 14 de agosto a 10 de setembro de 2026, de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h, e aos sábados, das 10h às 14h.
Local: Nieto Atelier e Galeria (Avenida Lucas de Oliveira, 432, Porto Alegre/RS).
Entrada gratuita.
Div: Silvia Abreu