Pesquisa inédita reunirá indicadores sobre profissionais, visitantes, faturamento e necessidades de qualificação; primeiros resultados serão apresentados no 1º Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas.
Enquanto o enoturismo consolida sua posição como um dos segmentos que mais crescem no turismo mundial, o Brasil ainda convive com uma lacuna importante: faltam indicadores capazes de revelar a dimensão do mercado de trabalho, o impacto socioeconômico e as reais necessidades de qualificação profissional do setor. Foi justamente para começar a preencher esse vazio que a Escola de Enoturismo, única das Américas, iniciou um levantamento inédito junto às vinícolas brasileiras. A iniciativa reúne informações sobre número de profissionais envolvidos diretamente no enoturismo, fluxo anual de visitantes, participação das atividades turísticas no faturamento das empresas e as áreas em que existe maior demanda por mão de obra qualificada.
Os primeiros resultados serão apresentados durante o 1º Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas, promovido pela ONU Turismo, Ministério do Turismo e Revista ADEGA, reunindo representantes do setor público, iniciativa privada e especialistas nacionais e internacionais. Segundo dados internacionais, o mercado mundial de enoturismo deverá saltar de US$ 46,4 bilhões, em 2023, para US$ 106,7 bilhões até 2030, impulsionado pela busca por experiências autênticas, gastronomia, cultura e turismo rural. O Global Wine Tourism Report 2025, elaborado pela Great Wine Capitals Global Network, mostra ainda que 65% das vinícolas pesquisadas consideram o enoturismo uma atividade rentável e que, em média, 25% do faturamento das empresas já é proveniente das atividades turísticas, percentual que chega a 28% nas pequenas vinícolas.
No Brasil, o movimento acompanha essa expansão. Estimativas do Sebrae indicam que mais de 85% das vinícolas brasileiras investem em enoturismo. Dados da Wine Locals apontam crescimento de 57,8% nas experiências comercializadas no Rio Grande do Sul, em 2025 se comparado ao ano anterior, com ticket médio de R$ 510, evidenciando um mercado em franca expansão.
Apesar desse cenário, ainda não existem dados consolidados sobre quantas pessoas trabalham diretamente no enoturismo, quantos empregos o setor gera, qual sua representatividade econômica dentro das vinícolas ou quais competências profissionais são mais demandadas. Para a jornalista e sócia-fundadora da Escola de Enoturismo, Lucinara Masiero, compreender essas informações é fundamental para o futuro da atividade. "O enoturismo cresceu, profissionalizou suas experiências e passou a ocupar um papel estratégico dentro de muitas vinícolas. Mas ainda conhecemos muito pouco sobre quem faz esse setor acontecer. Não é possível planejar políticas públicas, formar profissionais ou preparar o mercado para o futuro sem conhecer sua realidade. Nossa intenção é contribuir para que o enoturismo brasileiro passe a ser orientado também por indicadores”.
A pesquisa está sendo realizada diretamente com vinícolas de diferentes regiões produtoras do país e contempla quatro eixos principais: número de profissionais envolvidos no enoturismo, visitantes recebidos anualmente, participação do enoturismo no faturamento da empresa e áreas onde existe maior dificuldade para contratação de profissionais qualificados. Para a professora e pesquisadora Ivane Remus Fávero, também sócia-fundadora da Escola de Enoturismo, o levantamento representa um passo importante para compreender a evolução da atividade. "O Brasil já dispõe de informações sobre produção, área cultivada e consumo de vinhos. Agora precisamos conhecer melhor as pessoas, os empregos e os impactos que o enoturismo gera nos territórios. Produzir esse conhecimento é uma forma de fortalecer toda a cadeia”.
"Pessoas bem preparadas fortalecem as empresas. Empresas mais fortes impulsionam os territórios. Ao produzir esses indicadores, queremos oferecer ao setor uma base consistente para planejar o futuro do enoturismo brasileiro com mais estratégia, competitividade e sustentabilidade”, reforça Artur Farias, sócio-fundador da Escola de Enoturismo.
Os dados consolidados serão divulgados durante o 1º Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas, que acontece nos dias 12 e 13 de agosto, em São Paulo, marcando o início de uma base de informações que poderá subsidiar futuras pesquisas, programas de qualificação e estratégias de desenvolvimento do enoturismo brasileiro.
Escola forma primeira turma e amplia atuação com curso online
A Escola de Enoturismo conclui, na próxima segunda-feira (10), a primeira turma presencial da instituição. Já no dia 17 de agosto começam as aulas da primeira turma online, cujas inscrições permanecem abertas pelo e-mail escoladeenoturismo@gmail.com. Primeira instituição das Américas dedicada exclusivamente à formação em enoturismo, a Escola desenvolve seus cursos com base nos pilares Território e Origem, Experiência e Comunicação e Negócios.
Foto: Rodi Goulart
Legenda: Lucinara Masiero, Artur Farias e Ivane Fávero