Suzana Albano inaugura, no sábado de 18 de julho de 2026, sua exposição individual “O Extraordinário das Coisas Comuns” no Clube do Comércio, no Centro Histórico de Porto Alegre. Com curadoria de Juliana Gonzalez, a mostra reúne obras que sintetizam mais de duas décadas de pesquisa em arte têxtil e agrega rodas de bordado, em datas específicas, convidando o público para a prática desta técnica.
Imagens créditos: Obras, por Lucas Menger; Suzana Albano, por Marcelo Albano; Juliana Gonzalez por Lucas Boaventura
A exposição apresenta um conjunto de obras que dialogam com organismos vegetais, minerais, animais e ciclos de transformação que caracterizam a vida. Linhas, lãs, bordados, rendas, tules, filós e materiais reaproveitados tornam-se matéria viva nas mãos de Suzana Albano.
A artista também incorpora materiais descartados, atribuindo novos significados por meio do upcycling, procedimento que amplia a reflexão sobre sustentabilidade, memória e permanência. Seu trabalho nasce da intuição, sem desenhos prévios ou roteiros estabelecidos. É um processo que Suzana define como "bordado sem noção": uma construção espontânea em que cores, texturas e pontos ocupam lentamente a superfície, revelando formas orgânicas.
Essa diversidade técnica permanece presente em sua produção. Os bordados, alguns em grandes formatos, extrapolam a ideia tradicional do fazer manual. Muitas das peças adquirem o status de escultura e instalação, criando superfícies tridimensionais onde fios, tecidos e materiais diversos estabelecem relações de densidade, transparência e movimento.
Sua criação acontece quase sempre em fluxo contínuo, frequentemente desenvolvendo várias peças simultaneamente. O improviso não representa ausência de rigor, mas abertura para o inesperado, permitindo que o próprio trabalho indique seus caminhos ao longo da execução.
Mestres e Referências
Embora tenha construído uma sólida carreira como economista, Suzana decidiu dedicar-se integralmente à pesquisa artística a partir dos anos 2000. O percurso foi marcado pelo estudo contínuo de diferentes linguagens, entre elas a cerâmica, a aquarela, a escultura e o papier-maché, experiências que contribuíram para ampliar sua percepção da matéria, da cor e do volume antes de encontrar na arte têxtil seu principal campo de expressão.
Essa liberdade criativa foi estimulada ao longo de sua formação no Atelier Livre Xico Stockinger e por professores como Rejane Wagner, Daisy Viola e Chô Dorneles, artistas e educadores que incentivaram suas práticas baseadas na experimentação e na autonomia do gesto: “Eles me deram muita liberdade para criar”.
Entre suas principais referências contemporâneas estão as brasileiras Beatriz Milhazes e Sonia Gomes, além da portuguesa Joana Vasconcelos, três artistas que, cada uma à sua maneira, expandiram as possibilidades da matéria, da cor, da ornamentação e da escala no campo das artes visuais.
Arte têxtil, um movimento internacional
O trabalho de Suzana também dialoga com um movimento internacional que vem reposicionando a arte têxtil no cenário contemporâneo. Durante décadas, considerada uma linguagem periférica ou associada ao artesanato, a produção têxtil ocupa hoje um espaço de destaque em importantes bienais, exposições institucionais e museus na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil. O interesse crescente por práticas ligadas ao fazer manual, à memória, à ancestralidade, à sustentabilidade e às questões de gênero contribuíram para destacar o têxtil como uma das linguagens mais relevantes da arte contemporânea.
Nesse contexto, a pesquisa desenvolvida por Suzana Albano insere-se em uma produção que ultrapassa os limites do bordado tradicional para investigar relações entre natureza, matéria, tempo e transformação.
A reutilização de tecidos, fios e objetos cotidianos reforça um aspecto essencial de sua poética: demonstrar que aquilo que normalmente seria descartado pode revelar extraordinária potência estética: "O especial pode existir nas coisas mais comuns. Está no olhar de quem consegue percebê-lo."
Exposição: O Extraordinário das Coisas Comuns
Artista: Suzana Albano
Curadoria: Juliana Gonzalez
Local: Salão de Bridget, Clube do Comércio - Rua dos Andradas, nº 1085, Centro Histórico
Abertura: 18 de julho de 2026 - sábado - Das 10h30 às 14h
Período de visitação: 18 de julho a 18 de agosto de 2026
Atividade: 23/07, 30/07, 6/08 e 13/08 das 14h30 às 16h Rodas de Bordado “Traga Seu Bordado e Borde Comigo”
SUZANA ALBANO (Porto Alegre, RS, 1951) é artista visual e economista. Sua prática artística abrange a arte têxtil, a cerâmica, o papier-mâché, a papietagem e a fotografia. Em sua produção, a representação do ser humano e da natureza surge como tema recorrente, investigado por meio de diferentes materiais e linguagens. Desde 2010, vem aprofundando sua pesquisa em artes visuais através de cursos e formações no Atelier Livre da Prefeitura Xico Stockinger, de Porto Alegre, e em ateliês de artistas, participando de exposições coletivas e individuais no Brasil e no Uruguai.
JULIANA GONZALEZ (Porto Alegre/RS, 1996), artista visual, educadora e curadora. Graduada em Licenciatura em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), é estudante de História da Arte. Desenvolve pesquisas em desenho, gravura, bordado e processos têxteis. Atua na difusão, mediação e formação em arte por meio de oficinas e cursos. Como curadora, realizou as exposições “Entre Linhas” (2025), reunindo trabalhos do grupo de bordado, e “Linha: Desenho e Gravura” (2026), com 14 artistas, ambas na Galeria Habitart. No campo acadêmico, foi membro do corpo de jurados de editais do Instituto de Artes. Sua trajetória artística inclui participações em exposições coletivas, bem como, a atuação no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), apresentando trabalhos no ENALIC (Encontro Nacional das Licenciaturas), em Curitiba/PR.