O que significa “o novo jogo” para pequenos e médios laboratórios?

  • Saúde
  • 22/06/2026 - 19:03
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Gestão, tecnologia, liderança e experiência do paciente passam a definir a competitividade no setor de análises clínicas
Pequenos e médios laboratórios de análises clínicas vivem um momento de transformação. Durante muitos anos, a qualidade técnica foi vista como o principal diferencial competitivo do setor. Hoje, ela continua sendo indispensável, mas já não é suficiente para garantir crescimento, sustentabilidade e relevância no mercado.
Esse é o ponto central da palestra “O novo jogo para pequenos e médios laboratórios”, que será apresentada por Carlos Nyander Theiss, farmacêutico-bioquímico, empresário, mentor e fundador do LabVital, durante o Congresso Brasileiro de Análises Clínicas, que acontece no Rio de Janeiro, de 28 de junho a 1º de julho.
Com mais de 20 anos de atuação no setor laboratorial, Nyander defende que o novo cenário exige uma mudança de mentalidade. Para ele, o laboratório que deseja crescer precisa entender que excelência técnica, gestão profissional, liderança, atendimento humanizado e uso inteligente da tecnologia devem caminhar juntos.
“O novo jogo é entender que o laboratório não pode mais ser administrado apenas pela rotina técnica. Ele precisa ter gestão, indicadores, processos, equipe treinada, posicionamento de mercado e uma experiência de atendimento que gere confiança no paciente”, afirma Nyander.
À frente do LabVital, laboratório que nasceu em Santo Amaro da Imperatriz e vem ampliando sua atuação na Grande Florianópolis, Nyander transformou sua experiência prática em um modelo de gestão que também deu origem ao LabAzul, movimento que já impactou mais de 1000 laboratórios em todo o Brasil. A proposta é ajudar pequenos e médios negócios do setor a crescerem com método, qualidade e visão estratégica.
Segundo ele, os laboratórios independentes ainda têm espaço no mercado, mesmo diante da concorrência com grandes redes. O desafio está em deixar de atuar de forma apenas operacional e passar a trabalhar com planejamento, cultura organizacional e clareza sobre seus diferenciais.
“Pequenos e médios laboratórios têm uma força muito grande porque estão próximos das comunidades. Conhecem seus pacientes, os médicos da região e a realidade local. Mas essa proximidade precisa vir acompanhada de padrão, tecnologia, gestão e liderança. É isso que torna o negócio competitivo”, explica.
Entre os principais pontos desse “novo jogo” estão a capacidade de gerir custos, acompanhar indicadores, melhorar a jornada do paciente, investir em equipe, fortalecer o relacionamento com médicos e comunicar melhor o valor do laboratório. Para Nyander, muitos negócios do setor têm bons profissionais e qualidade técnica, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar isso em crescimento sustentável.
Outro aspecto importante é a experiência do paciente. Em um laboratório, o atendimento começa antes mesmo da coleta, com orientações claras sobre preparo, jejum, horários e documentação. Continua na recepção, na coleta, no prazo de entrega e na forma como o paciente acessa seus resultados. Cada etapa interfere na percepção de confiança.
“Gestão também é cuidado com o paciente. Quando o processo é melhor, a experiência fica mais segura, mais organizada e mais humana. O paciente percebe quando existe preparo, acolhimento e responsabilidade em cada etapa”, destaca.
A tecnologia também aparece como uma das grandes mudanças do setor. Automação, sistemas de gestão, inteligência artificial, análise de dados e ferramentas digitais já fazem parte da realidade da medicina diagnóstica. No entanto, Nyander alerta que a tecnologia só gera resultado quando está conectada a processos bem estruturados.
“Não adianta investir em tecnologia sem gestão. A tecnologia potencializa um bom processo, mas também pode expor uma operação desorganizada. Por isso, antes de falar em inovação, o laboratório precisa arrumar a casa”, afirma.
A palestra no Congresso Brasileiro de Análises Clínicas deve abordar justamente esse ponto de virada: como pequenos e médios laboratórios podem se posicionar em um mercado competitivo sem perder sua identidade, sua proximidade com o paciente e seu papel essencial na saúde.
Para Nyander, o futuro do setor pertence aos laboratórios que conseguirem unir técnica e visão empresarial. Isso significa cuidar da qualidade dos exames, mas também desenvolver líderes, melhorar processos internos, fortalecer marcas regionais e compreender que a saúde também exige gestão.
“O laboratório não entrega apenas resultado. Ele entrega informação de saúde, segurança para a decisão médica e confiança para o paciente. Quando o gestor entende isso, ele passa a enxergar o negócio de outra forma. Esse é o novo jogo”, conclui.
Serviço
Evento: Congresso Brasileiro de Análises Clínicas
Local: Rio de Janeiro
Data: 28 de junho a 1º de julho
Palestrante: Carlos Nyander Theiss
Tema: O novo jogo para pequenos e médios laboratórios
Atuação: Fundador do LabVital e idealizador do LabAzul