Frantz apresenta a exposição 'Escada para o Céu' na Ocre Galeria a partir de 25 de junho

  • Cultura
  • 19/06/2026 - 16:15
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Com curadoria de Bruna Fetter, a mostra inédita em Porto Alegre reúne obras que tensionam os limites da pintura por meio de procedimentos singulares de criação

A Ocre Galeria inaugura, no dia 25 de junho, das 18h às 21h, a exposição “Escada para o Céu”, do artista visual Frantz, com curadoria de Bruna Fetter. A mostra reúne um conjunto de trabalhos recentes que aprofundam a pesquisa desenvolvida pelo artista em torno da pintura, da materialidade e dos vestígios do fazer artístico. Por meio de uma prática que desloca o olhar sobre os processos de criação e seus resíduos, Frantz apresenta obras que transitam entre apropriação, memória e transformação. Com entrada franca, a visitação ocorre de 26 de junho a 1º de agosto, de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, das 10h às 13h30min.



As obras de Frantz têm origem em um processo singular de apropriação de vestígios da criação artística. Para isso, o artista cobre os pisos de ateliês com grandes extensões de lona, que permanecem nesses espaços por anos - por vezes, décadas - acumulando camadas de tinta, poeira, marcas e resíduos produzidos pelo cotidiano do fazer artístico. Ao retirar essas superfícies, Frantz identifica nos acúmulos e inscrições involuntárias um potente campo de investigação visual. Por meio de procedimentos de seleção, enquadramento e montagem, ele transforma esses fragmentos em obras, reconhecendo e afirmando essas superfícies como pintura. “O que à primeira vista parece uma composição intencional ou uma pintura cuidadosamente elaborada é, na verdade, resultado de um processo de acúmulo e de observação”, reforça Frantz.



Para a curadora Bruna Fetter, a exposição também evidencia a maneira como os espaços de criação atravessam a constituição das imagens. “Para esta exposição, nos interessou pensar sobre como a arquitetura dos espaços forrados por Frantz interfere na arquitetura das imagens resultantes. Não apenas as camadas de matéria que se sobrepõem, mas também a incorporação de certos vazios na composição, algo que até pouco tempo ele não costumava assumir nas obras finais”, observa.



Segundo o artista, essa prática desloca uma ideia tradicional da pintura, historicamente associada ao gesto de fazer, representar ou construir uma imagem. Em seus trabalhos, a paisagem, por exemplo, não é pintada deliberadamente; ela simplesmente aparece. É o olhar do artista que reconhece determinadas formas e potencialidades visuais presentes na matéria acumulada e as transforma em obra.



Ao refletir sobre esse procedimento, Frantz estabelece um diálogo com transformações importantes da história da arte, especialmente aquelas inauguradas por artistas que passaram a questionar a centralidade da execução manual. Ele lembra que, a partir de experiências que ganharam força ao longo do Século XX, o ato artístico passou a incluir a escolha, a seleção e o deslocamento de objetos e situações do cotidiano para o campo da arte.



Nesse sentido, o controle e o acaso convivem de maneira inseparável em seu trabalho. O artista não determina previamente a imagem que surgirá, mas realiza uma escolha fundamental: identificar, recortar e enquadrar aquilo que merece ser visto. “Para mim, a criação está menos na fabricação de uma forma e mais na capacidade de perceber uma composição já existente”, destaca.



Essa posição também amplia sua definição de pintura. Mesmo quando a obra nasce de resíduos ou de processos alheios, ela se constitui como pintura porque existe uma intenção artística que estabelece um meio e um fim. O gesto criativo não está necessariamente na aplicação da tinta, mas na decisão de reconhecer uma imagem, atribuir-lhe sentido e apresentá-la ao público como experiência estética.



Ao desafiar as expectativas sobre autoria, técnica e representação, Frantz propõe uma reflexão sobre aquilo que costuma passar despercebido. O banal, o acidental e o residual tornam-se matéria de arte, revelando que a pintura pode existir não apenas no ato de produzir imagens, mas também no ato de descobri-las.



Sobre Frantz

Frantz (Rio Pardo, RS, 1963) é artista visual, com trajetória consolidada nos campos do desenho, da pintura e da gravura. Radicado em Porto Alegre desde a década de 1980, estudou com importantes nomes da arte gaúcha, entre eles Paulo Porcella e Danúbio Gonçalves. Em 1982, participou do Salão do Jovem Artista, recebendo Menção Honrosa, e realizou sua primeira exposição individual, “Pichações”, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs).



Ao longo dos anos, foi premiado em diversos salões de arte, entre eles o Salão Paranaense e o Salão Nacional Funarte, ampliando sua projeção no cenário artístico regional e nacional. Em 1989, iniciou uma investigação que se tornaria central em sua produção: passou a revestir o piso de seu ateliê com lonas destinadas a receber, ao longo do tempo, camadas de tinta, marcas e resíduos do próprio fazer artístico. O resultado dessa experiência foi apresentado na exposição “Pinturas Não Realizadas”, exibida na Galeria Bolsa de Arte, em Porto Alegre, e posteriormente na Fundação Vera Chaves Barcellos, em Viamão.



A partir dessa pesquisa, Frantz desenvolveu uma poética singular baseada na apropriação e transformação de superfícies marcadas pelo trabalho artístico, prática que vem aprofundando continuamente ao longo das últimas décadas. Entre suas exposições mais recentes destacam-se “Também e Ainda Pintura”, com curadoria de Francisco Dalcol, no Margs (2019), e “Transversalidade”, com curadoria de André Severo, no Farol Santander Porto Alegre (2021).



Sobre Bruna Fetter
Professora e pesquisadora do Instituto de Artes da UFRGS, Bruna Fetter é Doutora em História, Teoria e Crítica de Arte pelo PPGAV desta mesma Universidade. Diretora Cultural da Fundação Vera Chaves Barcellos, é curadora de diversas mostras, sendo as mais recentes “Há pouco?” (2026, FVCB), “Amazona, ou a dança das resistências” (2024, MACRS), “O pé esquerdo” (2024, Galeria da PBSA), e “Haverá Consequências” (2022, FVCB). Em 2025 foi agraciada com o Prêmio Gilda de Mello e Souza, da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), e o Destaque em Curadoria Institucional, do XVIII Prêmio Açorianos de Artes Plásticas.


SERVIÇO:

O Quê. “Escada para o Céu”, exposição de Frantz (RS). Curadoria: Bruna Fetter

Onde: Ocre Galeria | Ocre Galeria | Av. Polônia, 495, São Geraldo, Porto Alegre/RS

Período: Abertura dia 25 de junho de 2026, quinta-feira, das 18h às 21h. Visitação de 26 de junho a 01/08/26, de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h. Sábados, das 10h às 13h30min.

Quanto: Entrada franca

Recomendação etária: Livre



Frantz

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Ocre Galeria

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Silvia Abreu – Consultoria Integrada de Marketing