Busca por viagens mais autênticas impulsiona interesse por vivências em comunidades do Marajó
No Dia do Turista, celebrado em 13 de junho, uma tendência tem chamado atenção no comportamento dos viajantes brasileiros: a troca dos roteiros tradicionais por experiências que proporcionam contato com culturas locais, aprendizado e vivências fora dos circuitos convencionais. Em vez de apenas visitar destinos, cresce o interesse por viagens que permitam conhecer realidades diferentes e estabelecer conexões genuínas com os territórios visitados.
O movimento acompanha uma transformação identificada pelo setor de turismo. Dados do Ministério do Turismo e da Embratur apontam que 63% dos viajantes estão dispostos a explorar destinos menos conhecidos e mais tranquilos, priorizando autenticidade, conexão cultural e experiências significativas.
Enquanto muitos brasileiros escolhem viagens voltadas ao descanso e ao turismo convencional, o médico David Ximenes, de 26 anos, decidiu trocar as férias por uma experiência de voluntariado no arquipélago do Marajó, no Pará. Na época ainda estudante de medicina, ele participou de uma das edições do Intercâmbio Mondó, programa de imersão social promovido pelo Instituto Mondó em comunidades ribeirinhas da região, e afirma que a vivência mudou sua forma de enxergar desigualdade, humanidade e até a própria profissão.
“Enquanto muita gente viaja para desligar, eu quis viajar para sentir e me conectar. Foi uma das decisões mais transformadoras da minha vida, tanto pessoal quanto profissional”, conta.
A experiência vivida na Amazônia acabou ultrapassando os dias da viagem. Inspirado pela vivência em Breves, David participou da produção de dois trabalhos científicos apresentados no 63º Congresso Brasileiro de Educação Médica (COBEM), realizado em Natal (RN), abordando temas como escuta ativa, saúde mental da mulher, saberes tradicionais e formação médica humanizada a partir das experiências no Marajó.
“A gente vai com a intenção de ajudar, e ajuda. Mas aprende tanto quanto ensina. O Marajó mudou minha forma de enxergar desigualdade, humanidade e até minha própria vida”, afirma.
Esse movimento fortalece o chamado turismo de experiência, modalidade em que o foco da viagem deixa de ser apenas o destino e passa a incluir as relações, os aprendizados e as vivências construídas ao longo do percurso.
No Marajó, iniciativas como o Intercâmbio Mondó têm atraído participantes de diferentes regiões do país interessados em conhecer de perto a realidade amazônica e o cotidiano das comunidades ribeirinhas.
Segundo Júlia Jungmann, diretora de relações institucionais do Mondó, o interesse por experiências de imersão em comunidades amazônicas tem crescido nos últimos anos.
“Existe uma busca crescente por experiências que gerem conexão verdadeira com os lugares e com as pessoas. Muita gente chega ao Marajó imaginando que vai apenas ajudar, mas acaba descobrindo um território que também transforma quem vem de fora”, afirma.
Além do impacto nos participantes, as ações fortalecem vínculos dentro das comunidades que recebem os voluntários. Na comunidade São Tomé, em Breves, a líder comunitária e gestora escolar Leidinelma Brito acompanha de perto as atividades realizadas durante as visitas.
Segundo ela, a chegada dos participantes representa não apenas acesso a atendimentos e oficinas, mas também uma troca cultural entre pessoas de diferentes regiões do país.
“Os voluntários chegam trazendo atendimentos, oficinas e acolhimento, mas também passam a conhecer nossa realidade enquanto comunidade amazônica. Essa troca fortalece vínculos e aproxima realidades muito diferentes”, destaca.
A próxima edição do Intercâmbio Mondó será realizada entre os dias 19 e 23 de julho, em Breves, no Pará. Desde a criação do programa, mais de 70 participantes de diferentes regiões do país já passaram pela experiência, participando de ações ligadas à saúde, educação, desenvolvimento social e vivências culturais junto às comunidades locais.
Para Júlia Jungmann, um dos diferenciais do Marajó está na possibilidade de conhecer a Amazônia para além dos cartões-postais.
“O Marajó oferece algo que muitos viajantes procuram hoje: a oportunidade de conhecer um território a partir das pessoas que vivem nele”, resume.
Crédito imagem: Everaldo Barreiros
Maré Comunicação