Espetáculo questiona o capacitismo e o habilismo na dança no Palco Giratório

  • Cultura
  • 22/05/2026 - 17:06
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Após vivenciar um AVC que deixou sequelas, a bailarina Silvia Wolff rejeita a palavra “superação” e inspirou-se na sua própria trajetória em ‘Pena’

No dia 31 de maio (domingo), a bailarina Silvia Wolff retorna aos palcos com o espetáculo ‘Pena’, um solo que traz à cena a história de corpo de uma bailarina que estudou nas melhores escolas de ballet do mundo, construiu uma trajetória de sucesso nas companhias Berlin Opera Ballet e a Pennsylvania Ballet, e, após um AVC, lida com a estética habilista na dança. A apresentação integra a programação do Palco Giratório e ocorre às 19h, no Estúdio Stravaganza.

Com direção de Flávio Campos, ‘Pena’ lança mão de procedimentos de criação do Balé Possível, fruto da investigação de Silvia em seu pós-doutorado na Faculdade de Motricidade humana da Universidade de Lisboa e explorado por ela como professora na graduação em Dança da Universidade Federal de Santa Maria e em projetos internacionais que realizou junto a pessoas com e sem deficiências.

Aos 34 anos, no auge da carreira, Silvia sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) que lhe deixou sequelas. Neste retorno à cena, ela confronta os significados simbólicos e ideológicos do corpo deficiente. “A obra se enquadra no conceito de balé contemporâneo não enquanto um estilo, mas como um novo momento na história do balé, onde podemos celebrar o vulnerável, reconstruir ideais de perfeição, problematizar a dicotomia marginalizado/mainstream e convidar o público a observar esta arte como uma experiência em vez de um objeto distante. Além disso, se enquadra no que Midgelow chama de ‘reworking’, que se diferencia de outras abordagens como remontagem ou revisão, pois envolve um diálogo com a tradição enquanto desafia suas premissas", diz Silvia.

“Que pena. Tu era tão bonita!”

O título ‘Pena’ é remanescente de uma experiência vivida junto a um amigo, a quem Silvia disse que não mais voltaria à cena. “Fui com um amigo ao teatro para assistir a um espetáculo de dança e encontramos uma amiga de infância. Ao vê-la caminhando com as dificuldades pós-AVC, a amiga exclamou: ‘Que pena, né? Tu era tão bonita!’. ‘Pena’ surge, então, enquanto ideia para uma criação cênica que possa lidar com a estética habilista desse belo, perfeito e ideal tão específicos do contexto do balé, não só pela pluralidade de significados da palavra, como também por sua relação com a figura do Cisne, muito presente na trajetória profissional da autora em questão”, recorda Silvia Wolff, que completa:

“Devemos confrontar os significados simbólicos e ideológicos do corpo deficiente em nossa cultura, destacando uma frase da bailarina e coreógrafa Ann Cooper Albright: ‘Ao ver corpos deficientes dançando podemos perceber que, embora uma apresentação de dança seja baseada nas capacidades físicas de um bailarino, ela não é limitada por estas’”.

FICHA TÉCNICA
Bailarina intérprete-criadora e produção executiva: Silvia Wolff
Direção: Flávio Campos
Direção de produção: Lucca Adams Pilla
Assessoria de imprensa: Roberta Amaral
Iluminação: Raquel Guerra
Operação de som: Walcker Martini
Contraregragem e apoio técnico: Gabrielly Eggers Neumann
Fotos: César Schirmer dos Santos e Bruna Bertoldo

SERVIÇO
Espetáculo de dança solo ‘Pena’
Quando: 31 de maio | Domingo | 19h
Onde: Estúdio Stravaganza (Rua Dr. Olinto de Oliveira, 64 – Santana)
Duração: 50 minutos
Ingressos: R$15 a R$40
Ingressos antecipados: https://ecommerce.sesc-rs.com.br/ecommerce.paginaprodutocultura.aspx?3592,Pena-(Silvia-Wolff%2fRS)%0a

div: Roberta Amaral
cred: Divulgação