Foppa & Ambrosi inicia o processamento da uva da Safra 2026 na própria vinícola, em Garibaldi

Fiéis a uma trajetória marcada por ineditismo e escolhas ousadas, os jovens enólogos Lucas Foppa e Ricardo Ambrosi dão um novo passo e fazem sua primeira vinificação em estrutura própria



Há sonhos que não nascem prontos — eles são construídos. Às vezes, tijolo por tijolo. Em outras, tanque por tanque. Na Vinícola Foppa & Ambrosi, em Garibaldi (RS), a Safra 2026 inaugura um desses momentos que mudam tudo: pela primeira vez desde que começaram a fazer vinho, em 2017, os sócios e amigos Lucas Foppa e Ricardo Ambrosi, estão vinificando integralmente a safra dentro da própria vinícola. É a realização de um sonho antigo dos dois jovens enólogos, que passam a conduzir a vinificação dentro da própria casa. A mudança reforça o foco total na marca e amplia o controle sobre cada etapa de elaboração.



Até aqui, a história da Foppa & Ambrosi foi marcada por parcerias técnicas fundamentais. Ricardo somou oito anos de atuação na Vinícola dos Plátanos, onde elaborava todos os rótulos da Foppa & Ambrosi, além de dezenas de outras marcas. No dia 1º de janeiro de 2026, essa rotina mudou completamente. Agora, o tempo é dedicado exclusivamente à Foppa & Ambrosi. Foi uma escolha consciente — e também a concretização de um sonho dividido desde o início com Lucas. “Chegou o momento de viver a Foppa & Ambrosi em tempo integral. Sempre fizemos nossos vinhos com o mesmo cuidado técnico, mas fazer isso dentro da nossa própria vinícola muda tudo. É onde a gente consegue colocar ainda mais verdade, precisão e identidade em cada safra”, afirma Ambrosi.



Para Lucas Foppa, a decisão de trazer a vinificação para dentro da própria vinícola também representa um divisor de águas na trajetória da marca. À frente da gestão e da construção da Foppa & Ambrosi desde o início, ele sentiu o peso de um mercado ainda preso a modelos tradicionais, que muitas vezes associam legitimidade apenas à estrutura física, e não ao conhecimento técnico, à experiência acumulada e à coerência do projeto. “O Ricardo é o enólogo responsável da vinícola e o artista dos nossos vinhos, mas esse movimento me fez ver que eu não fiz Enologia à toa. Esse movimento reacordou o Lucas enólogo”, ressalta Foppa.



Ousados como sempre, eles não fizeram essa transição de forma gradual. Em apenas um mês, a vinícola ganhou forma. E não foi no discurso. Foppa e Ambrosi não apenas acompanharam como também fizem parte de cada instalação, cada detalhe da estrutura produtiva. Dos 20 tanques previstos, 14 já estão instalados, dividindo espaço com desengaçadeira, prensa, esteira de seleção de uvas, sistema de frio, enchedora e capacidade produtiva para até 120 mil garrafas por ano.



A primeira uva a entrar nos tanques da vinícola chegou no dia 9 de fevereiro: uma Pinot Noir do Vale dos Vinhedos. O portfólio da Foppa & Ambrosi é elaborado com uvas de agricultores parceiros de diferentes regiões do Rio Grande do Sul. São uvas gaúchas, vindas de territórios diversos, respeitando o conceito de descentralização de terroir que define a identidade da marca.



Segundo os enólogos, o desafio agora é seguir exatamente aquilo que sempre fizeram: crescer mantendo — e elevando — a qualidade. “Os enólogos são os mesmos, os processos são os mesmos. A única diferença é que agora a vinificação acontece dentro da nossa casa”, reforçam. Eles reconhecem que nem sempre é fácil fazer o mercado compreender essa mudança, mas são categóricos ao afirmar que o maior ganho está no foco absoluto na marca, no controle dos processos e na liberdade criativa.



“Se o mercado acha que em nove anos a gente cresceu, agora vamos crescer muito mais”, projeta Lucas. Com toda a operação concentrada na vinícola, a Foppa & Ambrosi já se prepara para dar o próximo passo: a criação de uma nova experiência de enoturismo, com tour pela área produtiva, permitindo que o público acompanhe de perto aquilo que sempre foi a essência da marca — gente jovem, vinho autoral e trabalho feito à mão, do começo ao fim.

Lucinara Masiero
Fotos Divulgação