Vinícola da Encosta da Serra do Sudeste prevê colheita de 50 toneladas este ano e é a única, no País, a cultivar Cayetana Blanca
Os primeiros meses do ano são decisivos para a indústria vitivinícola da região sul do país. É durante a vindima que se revelam o volume e a qualidade das uvas que darão origem aos vinhos da safra e, em 2026, a expectativa é positiva no Rio Grande do Sul.
Localizada no Distrito de Capela Velha, no interior de Camaquã (município historicamente ligado à Revolução Farroupilha), a Altos Paraíso Vinhedos projeta a colheita de cerca de 50 toneladas de uvas neste ano, volume 25% superior ao registrado em 2025. Até o momento, aproximadamente 30% da safra já foi colhida, incluindo variedades como Chardonnay, Pinot Noir e Alvarinho, que têm apresentado boa qualidade.
Nos oito hectares de vinhedos próprios instalados na Encosta da Serra do Sudeste, o terroir onde está localizado a vinícola tem se mostrado especialmente promissor para castas como Nebbiolo, Touriga Nacional, Teroldego, Marselan, Tannat, Sangiovese e Alvarinho — esta última com destaque crescente na adaptação ao clima local.
Variedade inédita no país
Entre os diferenciais da Altos Paraíso Vinhedos está o cultivo da Cayetana Blanca, uma casta branca de origem espanhola, tradicionalmente encontrada nas regiões da Extremadura e Castilla-La Mancha. Utilizada historicamente na produção de vinhos fortificados envelhecidos em sistema solera, a variedade é cultivada em pequena escala no Brasil.
Atualmente, a vinícola é a única produtora nacional do varietal e mantém cerca de 800 plantas da Cayetana Blanca. O cultivo resulta em um vinho branco autoral, raro e diretamente vinculado às características do terroir local.
Inovação no manejo
Outra novidade da safra 2026 é a adoção de um método pouco usual na vitivinicultura brasileira: a desidratação das uvas ainda na parreira. A técnica, aplicada em cerca de 200 plantas de Merlot, devidamente selecionadas, consiste no corte dos galhos para interromper o fluxo de seiva, promovendo a concentração de açúcares diretamente no vinhedo.
Esta técnica exige precisão, coragem e conhecimento. As uvas colhidas passificadas permitirá à vinícola desenvolver um rótulo especial com maior intensidade aromática e estrutura.
Além disso, esta safra também marca a primeira colheita da variedade Sangiovese na propriedade.
“A vindima é sempre o momento mais aguardado do ano, porque ela traduz todo o trabalho feito no vinhedo ao longo das estações. Em 2026, estamos colhendo uvas com excelente qualidade, o que nos permite apostar em novos projetos, como a desidratação ainda na parreira e a primeira safra de Sangiovese. Além disso, seguir trabalhando com a Cayetana Blanca, uma variedade que só nós cultivamos no Brasil, reforça nosso compromisso com a produção de vinhos autorais e diretamente ligados ao terroir de Camaquã”, destaca Valtencir Gama, sommelier e proprietário da Altos Paraíso Vinhedos.
Fundada a partir de pesquisas sobre o terroir local iniciadas em 2015, a Altos Paraíso Vinhedos realizou o plantio das primeiras videiras em 2019 e trabalha atualmente com práticas de baixa intervenção ambiental no cultivo dos vinhedos e com foco na sustentabilidade
Fonte Cris de Luca - Gengibre Comunicação
Foto Ewerton Lindemann