Ampliar a exposição internacional deixou de ser apenas uma alternativa e passou a representar uma decisão estratégica
Durante muito tempo, investir fora do Brasil foi visto como algo complexo e excessivamente arriscado. Esse entendimento, no entanto, vem mudando de forma consistente. A diversificação internacional deixou de ser uma opção complexa e associada apenas a grandes fortunas para se tornar uma estratégia cada vez mais acessível, associando-se à gestão de patrimônio de longo prazo para todos os perfis de investidor.
Especialistas explicam que concentrar todos os recursos no Brasil significa assumir unicamente o chamado “risco Brasil”, indicador que reflete a percepção de investidores sobre o mercado e economia do país. Esse risco é dinâmico e responde a fatores macroeconômicos, fiscais e políticos – além do próprio ambiente global. Por se tratar de um país emergente, o Brasil tende a ser visto como destino com maior risco relativo, se comparado a economias desenvolvidas, como Estados Unidos e países da União Europeia.
Além disso, considerando que grande parte da fonte primária de renda de investidores e empresas brasileiras vem do Brasil e – portanto – tem forte correlação com a dinâmica da economia do país, concentrar investimentos domesticamente contribui para concentrar também o risco da carteira.
Nesse cenário, diversificar recursos para além do Brasil é uma arma poderosa para diversificar o risco. Renato Sarreta, sócio e líder regional da XP no Sul, explica que, em momentos de instabilidade doméstica, ativos internacionais tendem a ajudar na redução das perdas, atuando como um mecanismo de compensação. “A simples exposição ao dólar já contribui para esse efeito, mas os benefícios da diversificação global vão além da menor exposição ao risco Brasil e à proteção cambial”, afirma.
De acordo com o especialista, ao investir no exterior, o investidor amplia de forma significativa o leque de oportunidades. “Mercados como o dos Estados Unidos, por exemplo, oferecem um número de empresas para investimento cerca de 15 vezes maior do que o disponível no Brasil, além de acesso a setores globais pouco representados no mercado brasileiro, como tecnologia de ponta, biotecnologia e infraestrutura avançada”, explica.
Essa lógica também se aplica ao ambiente corporativo. Empresas com receitas, insumos ou operações atreladas ao exterior podem utilizar a alocação internacional e estruturas de câmbio como ferramentas estratégicas de gestão financeira. Por meio de hedge cambial e estruturas de proteção, por exemplo, é possível reduzir a volatilidade causada pelas oscilações do dólar, trazendo maior previsibilidade de custos, eficiência operacional e estabilidade no fluxo de caixa.
Em temos de alocação de investimentos, o time de alocação da XP recomenda a seguinte exposição estrutural:
Liquidez – 2%
Renda Fixa (soberano e corporativo) – 53%
Renda Variável – 40%
Alternativos – 5%
Incorporar a alocação global sugerida acima contribui não somente para a redução da exposição relativa a riscos e movimentos de mercado puramente domésticos, como também otimizam o retorno da carteira, equilibrando risco e retorno para todos os perfis de investidor.
Para Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, a alocação em ativos internacionais é uma importante ferramenta para mitigar os riscos do portfólio. “Em momentos de alta volatilidade no cenário global, a diversificação internacional se mostra uma importante aliada para mitigar os impactos nas carteiras do cliente”, diz a estrategista.
Nesse sentido, vale destacar que ciclos e dinâmicas que impactam o Brasil podem não necessariamente afetar o restante do mundo – e vice-versa. De maneira análoga, às demais economias no mundo tampouco se comportam igualmente.
Conforme destacado pelo líder Renato Sarreta, “enquanto o Brasil pode estar enfrentando um ciclo de aperto monetário, por exemplo, outros países podem estar diante de um período de queda de juros”. Ao mesmo tempo, embora os Estados Unidos sigam como referência no sistema financeiro internacional, temos observado um crescente movimento de busca por alternativas além do dólar e dos mercados americanos – o que só reforça a importância da diversificação verdadeiramente global.
Atualmente, o acesso a investimentos internacionais tornou-se mais simples e democrático, com alternativas de veículos como fundos de investimento, ações e ETFs (fundos de investimento negociados em bolsa) - tanto por meio de contas no Brasil, quanto no exterior. No caso das empresas, soluções estruturadas de câmbio e investimentos internacionais permitem alinhar estratégia financeira, proteção cambial e eficiência de capital.
Diversificação da carteira
O ponto central não está apenas em possuir ativos fora do país, mas em integrá-los de forma estratégica à carteira ou à gestão financeira da empresa, considerando perfil de risco, objetivos e horizonte de investimento. Nesse processo, Renato Sarreta reforça o papel do assessor de investimentos ao apoiar decisões em um ambiente global cada vez mais complexo.
Em um ambiente marcado por incertezas econômicas e políticas, ampliar a exposição internacional deixou de ser apenas uma alternativa e passou a representar uma decisão estratégica para preservar, organizar e fortalecer patrimônio e negócios no longo prazo.
Sobre a XP
A XP é uma das principais instituições financeiras do Brasil. Criada em 2001, nasceu com o propósito de transformar o mercado para melhorar a vida das pessoas — promovendo educação financeira e democratizando o acesso a investimentos de qualidade. Desde então, o Grupo XP lidera uma disrupção no setor ao construir um ecossistema completo de serviços financeiros, com soluções que vão de investimentos a crédito, seguros e banking, no Brasil e no exterior. Com foco em planejamento financeiro completo para investidores, a companhia investe na excelência em servir o cliente como a principal alavanca de crescimento. Esse compromisso com a qualidade já se reflete em reconhecimentos importantes: a XP foi eleita sete vezes consecutivas a Melhor Assessoria de Investimentos de São Paulo pela premiação “O Melhor de São Paulo”, realizada pela Folha de S. Paulo. Saiba mais em www.xp.com.br
Fonte Ana Melo
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