MODA EM TRANSIÇÃO: INOVAÇÃO, CONSCIÊNCIA E FUTURO

A moda nunca foi apenas sobre roupas. Ela é reflexo da sociedade, dos comportamentos, da
tecnologia e dos desejos que nos movem. Em 2025, vimos a indústria se reinventar diante de desafios
globais, instabilidade econômica e geopolítica, dança das cadeiras nas grandes marcas, mudanças no
comportamento do consumidor, além da pressão crescente por sustentabilidade e inovação digital.
Nesse quesito, inclusive, tudo ficou rápido, urgente, com pressa...já estamos no final do ano, quase nos
despedindo, alguns fazendo o balanço, outros repensando seus negócios e como seguir relevante num
segmento tão complexo e desafiador como a moda.

Agora, com os olhos voltados para 2026 e além, o setor se prepara para uma nova era - mais
inteligente, sensorial e emocional, dizem as pesquisas dos principais portais. Será? Nos últimos anos, o
Brasil se tornou terreno fértil para a chegada e a expansão de grandes redes internacionais de fast
fashion e ultra fast fashion, com movimentos sintomáticos: de um lado, consumidores vibrando com a
variedade, o preço baixo e o status associado a usar uma marca global; de outro, a consciência de que
esse modelo de negócio está no centro de debates urgentes sobre sustentabilidade, direitos trabalhistas
e padrões de consumo mais responsáveis. Não se trata aqui de vilanizar o acesso a roupas de preço
mais baixo, afinal, em uma economia marcada pela concentração de renda e pela alta no custo de vida,
democratizar a moda é um argumento forte, importantíssimo, mas não se trata só disso. O problema
está no discurso de “acessibilidade” desvinculado das consequências sociais e ambientais. O consumidor
precisa entender que o preço baixo pode estar custando alto para quem está invisível na cadeia. Nesse
sentido, as principais tendências de comportamento que impulsionam o setor incluem:

-Consumo com propósito: A busca por marcas éticas, sustentáveis e transparentes, que refletem
valores, causas e preocupação com excessos, descartes, exploração laboral etc.;
-Moda emocional: Roupas que promovem bem-estar, conforto e expressão pessoal, o famoso
“sentir-se bem em sua própria pele”, independente da tendência da vez;
-Inclusão radical: Gênero, corpo, cultura e idade deixam de ser barreiras. A moda é (ou deveria ser)
feita para todos;
-Minimalismo funcional: Menos peças, mais significado. O guarda-roupa mais enxuto, visto
como curadoria de identidade e expressão pessoal.
Some-se a isso a inovação tecnológica no design, que está transformando a moda em uma
experiência interativa e personalizada, com algoritmos (sim, IA em processos criativos e produtivos),
criando coleções com base em dados de comportamento e estilo, e ainda a busca por experiências de
compra imersivas e híbridas. É inegável que isso está revolucionando a criação de moda ao oferecer
ferramentas poderosas para personalização, previsão de tendências e automação nos processos, mas
também levanta preocupações sobre originalidade e dependência tecnológica. Nas matérias-primas, o
interesse crescente por peças que regulem temperatura, monitorem saúde e se adaptem ao ambiente, já
emergem nas buscas dos consumidores. Muito “Black Mirror” para alguns, realidade festejada por
outros que enxergam essa transição da moda em vários domínios, deixando de ser apenas expressão

estética para se tornar estratégia, ciência e manifesto cultural. Contudo, ainda persistem os desafios
éticos, pois o uso de IA para criar imagens e coleções levanta questões sobre direitos autorais,
apropriação de estilos e transparência na autoria. Precisamos entender que, quando uma IA gera uma
imagem ou coleção de moda, ela pode estar se baseando em milhares de referências visuais, muitas
delas protegidas por direitos autorais. Isso levanta questões como:

-A IA está copiando ou apenas se inspirando?

-Quem detém os direitos da criação final: o usuário que deu o comando, o desenvolvedor

da IA ou os artistas cujas obras foram usadas como base?

-É possível proteger legalmente uma peça criada por IA?

Esse debate está em andamento em várias áreas criativas, incluindo moda, arte e design gráfico.
Apesar disso, a IA não deve substituir os criadores, mas ampliar sua capacidade de imaginar, testar e
inovar. A capacidade de sentir (ainda) é só nossa. As marcas que souberem usar as ferramentas
equilibrando tecnologia com sensibilidade humana, e que consigam incluir acessibilidade com ética e
responsabilidade, serão as protagonistas da moda nos próximos anos.