MERCADO DE ALTO PADRÃO 2025-2030: O FUTURO DO LUXO E OS SEGREDOS DOS PRÓXIMOS ANOS

O universo do luxo, que nos últimos anos viveu um verdadeiro boom impulsionado pelo pós-pandemia, entra agora em um ciclo de normalização. Segundo dados da Bain, o crescimento global para 2025 deve ficar entre 0% e 4% no segmento de bens pessoais de alto padrão. O Ocidente e o Oriente Médio seguem sustentando a demanda, enquanto a China, depois de um período turbulento, deve retomar fôlego no segundo semestre.

O setor, porém, não é uniforme: enquanto joias e perfumes mantêm desempenho sólido, relógios suíços – símbolos atemporais como Rolex, Patek Philippe e Audemars Piguet – registraram queda de 2,8% em 2024, reflexo da retração do consumidor aspiracional. E, se apenas 20% dos executivos de moda acreditam em melhora imediata do humor do consumidor, a palavra-chave agora é cautela estratégica.

BRASIL: UM CASO À PARTE

No cenário nacional, o luxo vai na contramão da moderação global. O mercado brasileiro, que movimentou R$ 98bilhões em 2024, projeta alcançar impressionantes R$ 150 a 180 bilhões até 2030 – um crescimento anual entre 6% e 8%. Moda e itens pessoais continuam sendo a porta de entrada para novos consumidores, impulsionados pela expansão de shoppings premium e a formação de polos regionais de luxo.

NOVOS DESEJOS:

MENOS OSTENTAÇÃO, MAIS EXPERIÊNCIAS

As preferências estão mudando. Cada vez mais, o consumidor de alto padrão prefere investir em experiências marcantes a simplesmente acumular objetos. Viagens sob medida, gastronomia refinada e programas de bem-estar ocupam o topo da lista de desejos. A sofisticação discreta, a personalização e o mix que combina peças acessíveis com itens aspiracionais ganham destaque.

O PÓDIO DAS MARCAS MAIS DESEJADAS
Na moda e acessórios, Chanel e Hermès continuam reinando. Entre as joias, Cartier, Van Cleef & Arpels e Tiffany & Co. são nomes incontornáveis. Nos carros de luxo, Ferrari e Porsche aceleram na liderança, enquanto Hermès, Chanel e Gucci disputam espaço nos pés da elite. No universo das fragrâncias, Dior e Chanel continuam no topo, com perfumes que se tornam parte da identidade de seus clientes.

O MAPA DO LUXO NAS FÉRIAS DOS MILIONÁRIOS

O verão dos milionários ainda tem endereço certo: St. Barths, St-Tropez, Sardenha, Cannes e Mônaco. Mas uma nova tendência desponta – viagens “slow travel” para destinos frios e exclusivos, como Islândia e até a Antártica, oferecem narrativas únicas para aqueles que buscam o extraordinário.

OS HITS DA TEMPORADA

O closet de luxo de 2025 traz peças como resort wear de alta alfaiataria, joias “everyday diamonds” (diamantes para usar sem formalidades), fragrâncias de nicho, relógios esportivo-chic e, claro, experiências personalizadas ao extremo.

2030 NO HORIZONTE

O caminho até o final da década é promissor, impulsionado pelo aumento da base de clientes e pelo protagonismo das experiências. O Brasil, com sua expansão consistente, continuará se destacando – desde que marcas e empresas estejam preparadas para enfrentar riscos como volatilidade chinesa e mudanças geopolíticas.

O QUE AS EMPRESAS PRECISAM FAZER AGORA

Para se manterem no topo, as marcas devem investir em personalização com inteligência artificial, criar experiências exclusivas, fortalecer canais omnicanal de alto padrão, treinar equipes em etiqueta e excelência no atendimento, expandir de forma seletiva, gerenciar preços com inteligência e estar presentes nos hubs estratégicos do luxo. O luxo de amanhã será menos sobre mostrar e mais sobre sentir – e aqueles que compreenderem essa mudança estarão não apenas prontos para 2030, mas para escrever o próximo capítulo dessa fascinante história.