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O mercado do luxo em 2018

Muito se fala sobre o novo DNA do Luxo, ou a nova cara do Luxo, em função das preferências dos consumidores do setor e do deslocamento do consumo para o Oriente. A China, que já representa mais de 30% do consumo de Luxo mundial, e a geração dos millennials, tanto na China como no restante do mundo, são os protagonistas da vez. Mas, na realidade, o resultado final e que mais interessa é que os números do Luxo não param de crescer, independentemente da geração de consumidores ou do recanto do mundo onde ele acontece.

Considerando todos os setores, segundo a Bain & Company, o mercado mundial do Luxo está estimado em 1,2 trilhões de euros. Em relação aos produtos que fazem parte do novo Luxo e que têm conquistado diversos públicos, não importando seu poder de consumo, já chega da 320 bilhões de euros e pode chegar até 400 bilhões em 2025.

As principais ameaças ao consumo do Luxo são o terrorismo e as flutuações das moedas e, consequentemente, as perdas em investimentos. A “relativa calma” tem estimulado novamente os ávidos consumidores a deslizar seus “black cards” nos redutos do Luxo, especialmente nos meses de verão americano e europeu. Saint-Tropez, Mônaco, Marbella, Sardenha, entre outros, recebem os superyachts e seus bilionários nesta época, dispostos a desfilar com as mais recentes criações das grifes badaladas do momento. Balenciaga, Saint Laurent, Gucci e Balmain são quase que um “must” nas aparições do Bagatelle ou em Puerto Banus!

Outro fator que tem estimulado o consumo de Luxo e que não pode ser negligenciado, apesar da relutância de muitas grifes, é a tecnologia com vendas pelos dispositivos móveis, que já estão literalmente colados na pele dos millennials e da nova geração Z. O celular passou a ser o controle remoto da vida destes indivíduos e é preciso que as empresas desenvolvam estes meios de comunicação dentro dos moldes por eles compreendidos, ou seja, de forma holística e inspiracional. O conceito precisa acontecer no âmbito chamado omnichannel, para que a venda se conclua em uma das fases de consulta via dispositivos eletrônicos ou presencialmente nos templos de consumo. O consumo pode começar com uma visita à loja, seguida de uma consulta mais detalhada no computador e, finalmente, a compra pelo celular. O caminho inverso também é comum, por isso a experiência deve ser uniforme e consistente em todas as plataformas. E, principalmente, deve ser “frictionless”, leia-se, sem bruscas interrupções que desestimulem a conclusão da compra. Em todas as fases do consumo estas interrupções são fatais para o sucesso das vendas. Na loja, um vendedor despreparado ou excesso de publicidade e informações, nos aparelhos móveis, e ainda exigências burocráticas para a conclusão das compras são os maiores interruptores da experiência no consumo de Luxo.

O mercado brasileiro, que vinha crescendo a níveis de dois dígitos, viu em 2017 um crescimento de 9% no consumo de Luxo, incluindo nesta estatística o movimento da hotelaria de Luxo. A queda nas vendas se deu em função da diferença cambial, tornando os produtos no Brasil bem mais caros.

De qualquer forma, o mercado do Luxo sempre soube encontrar alternativas para se manter na liderança, através da criatividade, da inovação e da qualidade total. O mercado do Luxo se reinventa porque as pessoas se reinventam. O movimento iniciado na França, em 2016, chamado de “Dégagisme” (ato de se desligar ou desprender de muitas coisas e conceitos), vem conquistando também o mercado do Luxo. São inúmeros os milionários pelo mundo alugando seus carros, suas mansões e até mesmo vendendo seus objetos de Luxo em sites de vendas de produtos de segunda mão. O site www.therealreal.com é um exemplo. Claro sinal de que a compra e a posse do objeto estão cedendo lugar em importância para a forma como ele é adquirido: através de uma experiência enriquecedora, onde aprendizado e interação com o propósito da marca estejam evidenciados. É importante para o consumidor do Luxo saber se ele está ou não fazendo um bem na hora da compra de um produto e como ele pode se sentir melhor naquele ato.

O consumo sustentável através de grifes que pensam na natureza e no bem-estar do próximo é, sem dúvida, o que mais cresce no mundo entre a preferência das novas gerações. Antes de pensar na venda de produtos única e exclusivamente, as empresas devem pensar se isto trará benefícios para a sociedade e para o meio ambiente.

Bem-vindos ao novo Luxo! O Luxo da consciência tranquila e em paz!

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